Biografia Resumida de Octávio Tarquínio de Sousa

Por  ANTONIO GABRIEL DE PAULA FONSECA (neto do biografado)

Octavio, de mãe e pai pernambucanos, nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 7 de setembro de 1889, dia e mês da Independência e ano da Proclamação da República. Seria um predestinado? Muito cedo, com apenas 13 anos de idade, ingressou na Faculdade de Nacional de Direito e aos 18 saiu bacharel.

Começou a trabalhar nos Correios como segundo oficial e chegou a diretor. Em 1918, foi nomeado Procurador do Tribunal de Contas da União e, em 1932, foi eleito Ministro. No período 1934-1936 exerceu a função de presidente do TCU para, em 1946, aposentar-se do serviço público.

Como escritor, iniciou carreira como crítico literário colaborando nos principais jornais do Rio e de São Paulo. Em 1914, publicou seu primeiro livro: Monólogo das Cousas.

Em 1915, casou-se em primeiras núpcias com Maria de Lourdes Alves (mais tarde, a escultora Maria Martins), filha do jurista João Luis Alves, por quem, convidado, ajudou a preparar a primeira Edição Comentada do Código Civil, que fora aprovado em 1916.

Em 1928, traduziu Rubaiyat, de Omar Khayam, que foi reeditado inúmeras vezes. Aos 42 anos, no II Congresso de História Nacional (7 a 14 de abril de 1931), apresentou o estudo sobre “A Mentalidade da Constituinte” e, daí para frente, passou a dedicar-se integralmente à história brasileira.

Em segundas núpcias, Octavio casou-se com a escritora Lucia Miguel Pereira, “a companheira perfeita”, como ele a chamava. Octavio, na cumplicidade da união com Lucia, passa a viver o período áureo de sua vida como homem e como intelectual. Com ela, formou a biblioteca desta sala.

A Revolução de 1930 despertou em Octavio um profundo interesse pela História. Nessa década, surgem as grandes coleções: a Brasiliana (Cia. Editora Nacional) em 1931 e a Coleção Documentos Brasileiros (Jose Olympio Editora) em 1936, sendo esta dirigida por Octavio a partir de 1939 até sua morte (do volume 19 ao 107). Octavio dirigiu também, na Sociedade Felipe D’Oliveira, o boletim Lanterna Verde (1934-1944).

De 1937 em diante, Octavio abandona de vez a critica literária e sua colaboração na imprensa. Restringe-se aos estudos históricos. De 1938 a 1943, dirigiu a Revista do Brasil (3° fase); de 1946 a 1948, a Revista do Comercio com Afonso Arinos de Melo Franco.

Octavio fazia parte da elite intelectual da época. Reunia-se freqüentemente na Editora Jose Olympio com políticos que conversavam sobre literatura e literatos que conversavam sobre política. Foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Escritores (1934). Octavio vivia dos proventos de funcionário público e dos direitos autorais de suas obras, cujas edições, não sendo grandes, nunca permitiram que acumulasse fortuna.

É na Historia dos Fundadores do Império do Brasil, em 10 volumes, que se encontram seus principais trabalhos históricos sobre os acontecimentos culminantes da emancipação do Brasil e a instauração de instituições, isto é, a ruptura do Brasil com Portugal e a formação de um governo autônomo próprio.

A historiografia brasileira oferece raríssimos exemplos de total devoção ao período histórico do primeiro reinado. Octavio tinha domínio completo da bibliografia, baseado sempre numa total honestidade à pesquisa, exercendo uma interpretação sóbria, concisa e objetiva, sem prescindir de uma linguagem literária de gosto apurado.

Em 22 de dezembro de 1959, Octavio Tarquínio de Sousa e sua companheira Lucia Miguel Pereira morreram juntos numa colisão aérea sobre o Rio de Janeiro. Assim, interrompe-se abruptamente o muito que ainda estavam por fazer. Mesmo com produção incompleta, poucos historiadores brasileiros terão sabido unir, tão intimamente, a pesquisa e a imaginação, na verdadeira arte da História.

OBRAS

1914.   MONÓLOGO DAS COUSAS. Editora Bernard Frères.
1931.   A MENTALIDADE DA CONSTITUINTE, Anais do 20° Congresso de História Nacional, I, pp. 241-313. Editora  A . P. Barthel
1934.   ERNESTO PSICHARI, NETO DE RENAN. Editora Jornal do Comercio.
1934.   EVARISTO DA VEIGA. Cia. Editora Nacional, Biblioteca Pedagógica Brasileira, “Brasiliana,” Serie 5, vol. CLVII.
1937.   BERNARDO PEREIRA DE VASCONCELLOS E SEU TEMPO. Jose Olympio Editora.
1939.   HISTÓRIA DE DOIS GOLPES DE ESTADO. Jose Olympio Editora.
1942.   DIOGO ANTONIO FEIJÓ (1763-1843).  Jose Olympio Editora.
1944.   HISTÓRIA DO BRASIL (3°série) 1500-1822, em parceria com Sergio Buarque de Hollanda.  Jose Olympio Editora.
1945.   JOSE BONIFÁCIO (1763-1838). Jose Olympio Editora.
1945.   O PENSAMENTO VIVO DE JOSE BONIFÁCIO. Livraria Martins.
1952.   DE VÁRIAS PROVÍNCIAS. Jose Olympio Editora.
1952.   A VIDA DE D. PEDRO I. 3 vols.  Jose Olympio Editora.
1954.   INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DOS FUNDADORES DO IMPÉRIO DO BRASIL. Editora M.E.C.
1957.   TRES GOLPES DE ESTADO.  Jose Olympio Editora. Col. HFIB, vol. 8.
1957.   FATOS E PERSONAGENS EM TORNO DE UM REGIME.  Jose Olympio Editora. Coleção HFIB, vol. 9.
1957.   HISTÓRIA DOS FUNDADORES DO IMPÉRIO DO BRASIL. 10 vols. Jose Olympio Editora.

Entre Amigos

Projeto Portinari

Rio, 1946: Arpad Szenes, Murilo Mendes, Maria Helena Vieira da Silva, não identificado, Octavio Tarquinio de Souza, não identificado, Lucia Miguel-Pereira, Jayme Ovalle e Candido Portinari.

Amigos da esq. p/ dir: José Lins do Rêgo, Otávio Tarquinio de Souza, Paulo Prado, José Américo e Gilberto Freyre